Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexão. Mostrar todas as postagens

1 de fev. de 2014

Tempo é (só) dinheiro?

O mês de janeiro chegou ao fim e muitas pessoas se pegam assustadas com a sensação que de ele passou muito rápido. É comum ouvir a expressão “a virada foi ontem” ou “já estamos em fevereiro”. Há aqueles que se sentem frustrados, pois começam a perceber que muitas das resoluções de ano novo não passam de apenas boas intenções, ou seja, nenhuma ação foi realizada para colocá-las em prática.

É fato que temos a impressão de que o tempo está passando muito rápido. Mas será que os ponteiros do relógio estão realmente andando mais afobados? Ou seria somente uma impressão, em virtude das infinitas possibilidades que nos distraem, das novas formas de acesso à informação, de entretenimento e de interações sociais?

Diante desse cenário, devemos tomar atitudes mais positivas e pró-ativas, pois se deixarmos nossas resoluções de ano novo ou nossos projetos à deriva do barco do acaso, eles serão naufragados pelo cotidiano.  Certa vez, Eugenio Mussak postou em seu perfil no Facebook: “Sem vontade, disciplina e atitude, corremos o risco de desperdiçar os melhores momentos...”. A lendária banda Legião Urbana tem uma música que diz que “todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo”. Portanto, devemos estar atentos e administrar esse tempo, não só para ganhar dinheiro, mas também para buscar realização, equilíbrio de vida e outras coisas que nos são preciosas.

Para não ser perder em coisas circunstanciais, é necessário definir o que é importante, pois não adianta optar pelo outro extremo de querer fazer tudo, pois é possível que você acabará não fazendo (quase) nada. Liste aquilo que é fundamental e defina três ou quatro metas para um período de um ano. Resista à vontade de fazer uma lista grande de coisas e que (talvez) nunca serão realizadas. Depois da escolha dos itens, escreva um plano de ação para cada um deles e defina indicadores para verificar o cumprimento dos planos.

O grande Mário Quintana escreveu sua visão de vida e tempo no poema “O Tempo”:

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Ainda temos muito tempo, neste ano, o suficiente para cultivar as boas lembranças do passado, eternizar instantes do presente e planejar o futuro. Aproveite, pois o tempo passa, inevitavelmente, para todos!

26 de fev. de 2013

Tente outra vez


A vida nos apresenta situações de conflitos paradoxais. O “não sei se vou ou se fico” representa bem certos momentos que nos exigem decisão e, mais que isso, atitudes.

Tais atitudes, por vezes, podem  causar desconforto de início, até um pouco de dor, talvez, mas sabemos que, para o futuro, em função até mesmo de decisões e atitudes alheias anteriores, causa motriz (e "mortis") de certos dilemas, será o melhor a fazer.

Preciso é encontrar forças suficientes para enfrentar tamanho desafio. Algo que parece um precipício intransponível, pode ser apenas um pequeno buraco a ser saltado e deixado para trás.

Algumas perdas agora podem revelar grandes ganhos no futuro. É viver e crer para ver.


23 de fev. de 2013

Vida que segue



Fisicamente, ando nas calçadas, onde as pessoas vem e vão.

Metafisicamente, os pensamentos voam, nesta ou naquela direção.

Seja onde e como for,  a riqueza de detalhes, cores, sabores e gostos é assustadoramente grande, muitas opções.

Quais possibilidades avaliar? Quais caminhos trilhar? Quais escolhas fazer? Eis as questões.

Nisso tudo, uma única certeza: é necessário prosseguir.

7 de jun. de 2012

É a vida, é bonita e é bonita...

O Minoru Raphael, autor do blog Minorulândia, postou o texto "100 coisas bonitas" (clique para ler) e, ao final do mesmo, ele pergunta: O que você acha bonito? Resolvi tentar responder. A seguir, algumas possíbilidades de respostas. A lista pode chegar ao infinito...

Bonito é...
... ganhar um beijo doce da mãe na hora de dormir, mesmo sendo você um cavalo velho;
... ver a lua dourada saindo do mar da costa do Espírito Santo e chegar ao céu branquinha;
... entrar em um coletivo pela manhã, saudar o motorista e o trocador e ganhar de volta um sonoro “bom dia”;
... ter a sensação de que o universo parou, ao estar junto com uma pessoa amada;
... atender ao pedido de uma pessoa que trabalha em outro departamento e receber um agradecimento muito especial, mesmo sendo aquela sua atividade;
... pegar uma chuva a caminho de casa e, desprovido de guarda-chuva, aproveitar o banho refrescante;
... sentir cheiro de terra molhada pela chuva, morando uma quase selva de pedra;
... ouvir uma música e lembrar de pessoas e momentos especiais;
... dar pequenos mimos para as pessoas e não esperar nada em troca, apenas para vê-las com um sorriso no rosto;
... conhecer uma pessoa e ter a sensação, de início, que a conhece há anos;
... ter amigos mais chegados do que irmãos;
... receber torpedos com a frase: “amo você daqui à lua, ida e volta” ou “amo mais que chocolate”;
... ouvir de alguém: “lembrei de você”;
... ser considerado um amigo importante e guardar segredos confiados;
... trocas demoradas de olhares;
... ter amigos de verdade, mesmo quando nunca os viu pessoalmente;
... papear gostosamente por horas a fio;
... sentir saudade, mesmo depois de estar com uma pessoa especial;
... escrever uma lista infindável de coisas bonitas.

Como disse o mestre Gonzaguinha: “É a vida, é bonita e é bonita...”. Não devemos ter vergonha de sermos felizes e vivermos a vida, pois ela é bonita!

E você? O que acha bonito? Comente! =)

2 de mai. de 2011

Ganhei nova fé

Ricardo Gondim

Recebo muitos pedidos para que volte e ser o "Ricardo de antigamente". Impossível voltar ao passado e mais impossível ainda, vestir os andrajos que o tempo corroeu. Muitas coisas perderam ímpeto dentro de mim. Hoje, algumas afirmações se esvaziam antes mesmo de alcançarem meu coração. Certas concepções já não fazem sentido quando organizo a minha existência.

Ganhei nova fé.  Não acredito mais na fé como força dirigida a Deus que o induz a agir. Entendo a verdadeira fé como coragem para enfrentar a existência com os valores de Jesus de Nazaré.  Fé significa que a verdade vivida e revelada por Cristo basta para que eu encare as contingências do mundo sem desumanizar-me. Minha fé não pretende movimentar o Divino, mas ser pedra de arranque onde impulsiono a caminhada na deslumbrante (e perigosa) aventura de viver.

Já não espero que uma relação com Deus me blinde de percalços. Não acredito, e nem quero, Deus me revestindo com uma armadura impenetrável. Considero um despautério prometer, em meio a tanto sofrimento, que os obedientes e puros passarão pela existência incólumes, sem sofrerem doenças, acidentes, violência.

Ganhei nova fé e considero leviano afirmar que ao orar, mulheres pouparão os filhos de se envolverem com drogas, promiscuidade e outros males. Por que Deus ficaria de mãos atadas ou indiferente diante das opções, muitas vezes atrapalhadas, de rapazes e moças? Seria justo afirmar que se os pais não vigiarem, Deus permitirá a perdição eterna dos filhos? Como Deus induz alguém a se arrepender? Ele força e arrasta, em resposta ao pedido dos pais? Não seria mais responsável ensinar que a "salvação" dos filhos não depende tanto de uma intervenção divina, mas do exemplo dos pais?

Tanto na Bíblia hebraica, o Antigo Testamento, como no ministério terreno de Jesus, há relatos de que Deus se recusa a manipular e coagir para trazer qualquer pessoa para si. Deus é amor. Quem ama se faz vulnerável ao abandono. Um exemplo clássico vem do profeta Oséias que encarnou repudio semelhante ao de Iahvé.

Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho. Mas, quanto mais eu o chamava mais eles se afastavam de mim (11.1).

No Evangelho de Lucas, Jesus lamentou sobre a cidade de Jerusalém que, além de repetir o antigo hábito de perseguir os profetas, agora o rejeitava:

Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! (13.34).

Ganhei nova fé e deixei de acreditar que os que cumprem ritos religiosos vivem um céu de brigadeiro. Não imagino que, ao obedecer corretamente os mandamentos, o mar da vida pare de ser arriscado.

Ganhei uma fé que não precisa orar de olhos fechados, debulhar terços em rezas, pedir ajoelhado, fazer campanhas, interceder ferozmente em vigílias e clamar aos gritos. Sei que o paganismo rodopia nessa lógica, mas agora entendo que Cristo a negou. As vãs repetições acabam expressando a voracidade de uma espiritualidade que contempla ganhar o que outros mortais não conseguiram. Considero esse tipo de devoção puro clientelismo. Murros em ponta de faca, que misturam ilusão com uma esperança bem parecida com os anseios da tartaruga que sonha com as alturas, mas é obrigada a respirar o pó da estrada.

Ganhei uma fé com demandas éticas. Não seria indigno um cristão pedir que Deus lhe ajude a passar em concurso público? Sim, esse tipo de oportunismo em nome de Deus é aberração ética. Em uma enconomia como a latino americana que gera excluídos, não cabe rogar que “o Senhor abra uma porta de emprego”. Não faz sentido conceber que o Todo Poderoso esteja, não se sabe por quais critérios, a recolocar seus eleitos no mercado de trabalho. Ganhei uma fé que luta por mais justiça nos chamados países emergentes, com bolsões miseráveis, onde bilhões sobrevivem com menos de 1 dólar por dia.

Já me indispus com grandes segmentos religiosos. Noto, sim, as idealizações de um movimento que deseja ser tratado como o próprio reino de Deus. Inundado de insinuações de que estou em crise, crisolo, mudo de pele, revisto-me de maturidade. Repito o padrão paulino: "deixo as coisas de menino". Sei que muitos jargões piedosos cumprem o papel ideológico de afastar as pessoas da realidade empurrando-as para o delírio religioso. Mas nesse caso religião e ópio são iguais.

Soli Deo Gloria

Fonte: Site do autor.

Há 10 anos, quando decidi voltar a congregar em uma comunidade de fé, após também 10 anos fora do arraial religioso, comecei a querer entender um pouco mais sobre minha fé. Entendê-la, explicá-la. Desencorajado por muitos, ainda assim fui procurar algumas respostas na teologia, matriculei-me em um seminário, onde fiz graduação e uma especialização. De lá, onde tive o prazer de ouvir o Ricardo Gondim ao vivo, numa sequência de várias ótimas palestras, trago um valioso ensinamento: deixar de procurar respostas e aprender a fazer novas perguntas. Sigo nesta caminhada empolgante, tentando e buscando novas perguntas para viver uma nova fé. Nesta aventura, conto com ótimos mentores, um espaço de reflexão e discussão na internet e com amigos próximos e distantes (que alguns chamam de reais e virtuais).

17 de abr. de 2011

Perdi a fé

 
Sentado na quarta fileira de um auditório superlotado, eu ouvia um renomado orador cativar mais de mil pessoas com sua oratória carismática. Na contramão do frenesi provocado por ele eu repetia para mim mesmo: “Não, não posso negar, já não comungo com os mesmos pressupostos deste senhor”. Aliás, parece que ultimamente vivo em controvérsias, tanto pelo que escuto quanto pelo que falo. Algumas pessoas me perguntam se provoco polêmica para fazer tipo. Outros querem saber se sei aonde quero chegar. Respondo: “Estou mais certo dos caminhos que não quero trilhar”.

Muito de minhas controvérsias surgiram porque eu me recuso a escamotear dúvidas com cinismo. Fujo de tornar-me inconseqüente nas declarações que possa fazer a respeito de Deus e da fé. Receio perpetuar uma espiritualidade desconectada da vida.

Reconheço, algumas intuições sobre teologia ainda estão verdes. Mas, nem sei se quero que elas amadureçam. O pouco de sentido que me fazem basta para que eu me ponha a garimpar a verdade. E isso é bom. Há um fluxo que me faz abandonar certas pedras onde outrora tomei pé. O que abandonei?
1. Não consigo mais acreditar no Deus inativo, que carece de preces “verdadeiras” para mover-se. Uma frase que não faz nenhum sentido para mim? “Oração move o braço de Deus”.
2. Não consigo mais acreditar que os milagres de Deus sejam prêmios que privilegiam poucos. Não consigo entender que Deus se comporte como um “intervencionista” de micro realidades, deixando exércitos de ditadores “correrem frouxos”. Inquieta-me saber que Deus tenha uma “vontade permissiva” para multinacionais lucrarem com remédios que poderiam salvar vidas. Não aceito que haja uma razão eterna para que governos corruptos atolem os mais pobres na mais abjeta miséria.
3. Não consigo mais acreditar que Deus, mantendo o controle absoluto de tudo o que acontece no universo, tenha sujado as mãos com Aushwitz, Ruanda, Darfur, Iraque e outras hecatombes humanas. Não aceito que ele, parecido com um tapeceiro, precisa dar nós malditos do lado de cá da história enquanto, do outro lado, na eternidade, faz tudo perfeito. Qual o propósito de Deus ao “permitir” que crianças sejam mortas pela loucura de um atirador ou que uma menina esteja paraplégica com bala perdida?
4. Não consigo mais acreditar que a função primordial da religião seja acessar o sobrenatural para tornar a vida menos sofrida. Os cristãos, em sua grande maioria, tentam fazer da religião um meio de controlar o futuro; praticam uma fé preventiva, pois aceitam como verdade que os verdadeiros adoradores conseguem se antecipar aos percalços da vida; afirmam que os ungidos sabem prever e anular possíveis acidentes, doenças, ou quaisquer outros problemas existenciais do futuro. Creio que a verdadeira fé não foge da lida, mas encara o drama de viver com coragem.  
5. Não consigo mais acreditar em determinismo, mesmo chamado por qualquer nome: fatalismo, carma, destino, oráculo. Depois de ler e reler o Eclesiastes, parei de acreditar que o cosmo funcione como um relógio de quartzo. Acredito que Deus criou o mundo com espaço para a contingência.  Sem esse espaço não seria possível a liberdade humana. Creio que no meio do caminho entre determinismo e absoluta casualidade resida o arbítrio humano. Entendo que liberdade  é vocação: homens e mulheres acolhendo o intento do Criador para que a história e o porvir sejam construídos responsavelmente.
Reconheço que posso assustar na teimosia de importar do mundo do rock para dentro da espiritualidade o significado de “metamorfose ambulante”. Nessa constante fluidez, a verdade pode ser simples, mas nunca deixará de ser perigosa. A  senda sulcada da verdade foi sulcada por muitos, entre os passos, porém, percebo a marca das sandálias do meu Senhor. E só isso basta para eu prosseguir.

Soli Deo Gloria

Fonte: Texto de Ricardo Gondim, publicado em seu site e em replicados em alguns blogs, como o Pavablog e Ministério Cântaro.


Durante o dia de hoje eu resisti em ler esse texto, para não me dar mais conta do atual cenário religioso em que se prega um evangelho que já não funciona, que está desconectado da vida. Utilizando a mesma expressão do Gondim, me sinto como uma “metamorfose ambulante”, rejeito certos preceitos da religião moralista e legalista, que visa controlar as pessoas por uma lista de regras e ameaças. Este discurso não me faz mais nenhum sentido. Estou ansioso por boas-novas! =)

9 de abr. de 2011

Algo está muito errado!

 

Meu amigo Rafael Valencio enviou um e-mail sobre a tragédia acontecida no Rio de Janeiro. Clique aqui e leia o texto publicado no seu Devaneios. Abaixo, você confere minha resposta para ele e os demais copiados na mensagem:

Meu amigo, lendo sua angústia, “zilhões” de coisas passam por essa cabeça insana e coração inquieto! Tentarei aqui, com alguma dificuldade, expor algumas ideias que eu conseguir apanhar da mente com a ponta dos dedos:

A partir do momento em que se começou a valorizar a igreja (instituição), a Igreja (corpo de Cristo) deixou de exercer seu papel principal na Terra, que é a de transformar as pessoas (e o mundo) através dos preceitos do Reino de Deus. Enfatizo que essa transformação não se dá por uma lista de regras e liturgias, no controle e na tentativa de nos tornarmos seres superespirituais. Nunca seremos. Somos gente! Gente cheia de falhas, pecados, manias, vícios. A instituição e suas regras (malditas) não podem (e não devem) sufocar o amor, a gratidão, a compaixão, a alegria, a comunhão, a solidariedade, o afeto, o carinho.

E aí entra a graça de Deus. A graça que proclama a assombrosa verdade que tudo é de presente. Tudo de bom é nosso não por direito, mas meramente pela liberalidade de um Deus gracioso. Isso porque o maior de todos os presentes nos foi dado, a própria vida, olhos para ver e mãos para tocar, mente para formar ideias e coração para bater com amor. A Boa Nova do evangelho da graça grita em voz alta: somos todos mendigos, igualmente privilegiados, mas não merecedores, às portas da misericórdia de Deus! Inácio de Loyola disse que “a experiência direta de Deus é de fato graça, e basicamente não há ninguém a quem ela seja recusada”. Todos a recebem, gratuitamente. Todos!

Lutero se debatia noite adentro com a questão fundamental: de que forma o evangelho de Cristo podia ser realmente chamado de “Boa Nova” se Deus é um juiz justo que retribui aos bons e pune os perversos? Será que Jesus veio revelar essa terrível mensagem? De que forma a revelação de Deus em Cristo Jesus podia ser acuradamente chamada de “Nova”, já que o Antigo Testamento defendia o mesmo tema, ou de “Boa”, com a ameaça de punição suspensa como uma nuvem escura sobre o vale da história? Porém, como observa Jaroslav Pelikan, Lutero repentinamente chegou à percepção de que a justiça de Deus da qual Paulo fala em Romanos 1.7 (Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá pela fé) não era a justiça pela qual Deus era justo em si mesmo (que seria uma forma passiva de justiça), mas a justiça pela qual, por causa de Jesus Cristo, Deus tornou justos os pecadores (isto é, justiça ativa) através do perdão dos pecados na justificação. Quando descobriu isso, Lutero afirmou que os próprios portões do Paraíso haviam-se aberto para ele.

Esses dois últimos parágrafos foram inspirados pela leitura que faço neste momento do livro “O evangelho maltrapilho” de Brennan Manning, publicado pela Mundo Cristão. Estou maravilhado com a leitura e recomendo a obra, vale muuuuuuito a pena! Um livro para ler com o coração e os afetos!

Quando escrevia essas palavras, Jung Mo Sung (teólogo católico e professor titular da Universidade Metodista de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião) “tuitava”: “Detrás de tanta gente sem saúde e comida, há um sistema econômico e político injusto. Compaixão significa também ação sócio-política”. Não basta apenas orar pelos que sofrem. Devemos sofrer suas dores também. E fazer alguma coisa para reverter o quadro triste pintado pelo capitalismo (chamado por alguns de capetalismo). Em função de poder, dinheiro e status, muitos sofrem, são excluídos, marginalizados. E daí, surgem não apenas os atiradores de escolas. Mas também todo tipo de gente fracassada, humilhada, excluída, machucada. Gente doente que gera mais gente doente. Fico pensando nas milhares de crianças e jovens que são violentadas ou morrem diariamente e que não estão na mídia como o caso da tragédia do Rio de Janeiro. Um sem número de vítimas inocentes que já virou estatística fria, apenas números. Ou seja, temos um câncer em nossa sociedade que precisa ser tratado.

Não estou dizendo aqui para sairmos às ruas fazendo uma revolução. Devemos começar com pequenas atitudes de mudança. Como o Rafah citou, Mario Quintana diz que:

"O que mata o jardim

É esse olhar vazio

De quem por ele

passar indiferente”

Devemos valorizar mais a vida e as pessoas, sair de nossas torres de marfim. Quantas vezes passamos por pessoas na rua, no elevador, na igreja, em casa, na sala de aula ou no trabalho e nem sequer olhamos para os que estão perto de nós, no cotidiano. Ou fingimos que ouvimos as pessoas, quando elas precisam de nossa atenção. Devemos começar a tocar o mundo com atitudes mais gentis, mais amorosas. Sim, eu sei que não é fácil. Devemos também saborear a vida com mais leveza. Tanta gente arrumando confusão por nada. Inacreditável, um desperdício de felicidade.  Sejamos mais pacientes, bondosos, amorosos. Mas só conseguiremos viver nesta perspectiva se aceitarmos e assimilarmos o evangelho da graça, do obstinado e furioso amor de Deus por todos nós. A partir daí, sob essa nova percepção, devemos tocar os outros com vida, como compaixão, com misericórdia, com amor, com alegria e, como resultado, transformar a sociedade na qual estamos inseridos, fazendo ser vistos os valores do Reio de Deus que está tão pertinho, pronto para se tornar realidade em nossa vida terrena. Bastamos usar o segredo da escada, um degrau de cada vez!

Brennan Manning escreveu que este evangelho não é para os  superespirituais, não é para os fortes, cujo herói é o Rambo e não Jesus, não é para os acadêmicos que aprisionam Jesus na exegese, não é para gente barulhenta e bonachona que manipula o cristianismo a ponto de torná-lo um simples apelo ao emocionalismo, não é para os místicos de capuz que querem mágica na sua religião, não é para os cristãos “aleluia”, que vivem apenas no alto da montanha e nunca visitaram o vale da desolação, não é para os destemidos que nunca derramaram lágrimas, não é para os zelotes ardentes que se gabam com o jovem rico dos evangelhos, que “guardava todos esses mandamentos desde a juventude”,  não é para os complacentes, que ostentam honras, diplomas e boas obras, crendo que já chegaram lá, não é para os legalistas, que preferem entregar o controle da alma a regras a viver em união com Jesus.  Este evangelho é para os sobrecarregados que vivem ainda mudando o peso da mala de uma mão para outra, é para os vacilantes e de joelhos fracos, que sabem que não se bastam de forma alguma e são orgulhosos demais para aceitar a esmola da graça admirável, é para os discípulos inconsistentes e instáveis cuja azeitona vive caindo para fora da empada, é para homens e mulheres pobres, fracos e pecaminosos com falhas hereditárias e talentos limitados, é para os vasos de barro que arrastam pés de argila, é para os recurvados e contundidos que sentem que sua vida é um grave desapontamento para Deus, é para gente inteligente que sabe que é estúpida, e para discípulos honestos que admitem que são canalhas.

A justificação pela graça mediante a fé significa que sou aceito por Deus como sou. As pessoas têm expressado o temor de que essa auto-aceitação pode abortar o processo de conversão em andamento e conduzir a uma vida de ociosidade e frouxidão moral. Nada poderia estar mais longe da verdade. A aceitação do eu não implica em resignar-se com o estado das coisas. Ao contrário, quanto mais plenamente aceitamos a nós mesmos, mais começamos a crescer de forma bem-sucedida. O amor é um estímulo muito superior à ameaça e à pressão. A partir daí, podemos nos amar melhor e amar também aos demais. Podemos fazer mais pelos outros sem nos preocupar com aceitação, publicidade e/ou críticas.

Por fim, eu também quero escolhas diferentes, sociedade diferente, pessoas diferentes e aceitação diferente. Descobrir um novo mundo tem sido uma aventura muito bacana, prazerosa!

Acho que isso é tudo, ou nada! Risos! =)

17 de jan. de 2011

Evangélicos fazem a diferença no momento da tragédia, afirma jornal

 

Silas Malafaia vende seu avião e compra mantimentos para as vítimas da tragédia na Serra do Rio Janeiro.

Bancada evangélica ameaça trancar a pauta de votação do congresso até que sejam tomadas medidas definitivas para evitar outras tragédias como esta.

RR Soares reverte as receitas dos carnês de patrocinadores para os desabrigados das tragédias. MANCHETES

Apóstolo Estevam e Bispa Sônia desviam a Marcha para Jesus para a Serra Fluminense e a renomeiam "Marcha Por Jesus!", uma multidão a serviço da vontade do Senhor Jesus junto ao seu povo sofrido.

Bola de Neve TV não passa campeonato de surf ou skate sábado a noite para divulgar locais de doações e voluntariado para atuar na serra fluminense.

Valdemiro Santiago coloca seus dois helicópteros a disposição das equipes de resgate e sai a campo com seus bispos para levar seus estoques de água 100% Jesus às vitimas.

Edir Macedo, mesmo não sendo cristão, desiste da construção de seu templo de Salomão e doa o material de construção para o reparo dos que perderam tudo. 

Rene Terra Nova faz um ato profético em favor das vítimas: Vai ao banco e transfere o dinheiro arrecadado para a Festa dos Tabernáculos para a conta da Cruz Vermelha, para que esta compre tendas e alimentos para os desabrigados.

Bispo Rodovalho troca as emendas que fez para festas no Ministério do Turismo por verbas emergenciais para os desabrigados.

Ana Paula Valadão recebe uma revelação de que há um tripé sobre a Serra do Rio de solidariedade, amor ao próximo e humildade e decide realizar três shows com renda revertida aos desabrigados.

Todas as igrejas evangélicas do Rio de Janeiro interrompem seus serviços internos e abrem seus espaços aos desabrigados, enquanto seus membros ajudam no consolo dos que perderam tudo.

O pastor da igreja protestante tradicional justifica: Neste momento, não há nada que glorifique mais o Senhor do que isto.

Oremos para que um dia ao menos uma ou duas destas manchetes não soem como piada ou provocação, mas como coisa natural entre o povo de Deus.

Fonte: Genizah

Infelizmente, sei que isso está um pouco distante da realidade, mas meu coração está feliz pelas iniciativas que estão acontecendo. Várias igrejas estão se reunindo e enviando ajuda para os desabrigados. Este é o Evangelho que faz a diferença! Como disse Ariovaldo Ramos em um artigo publicado no site da Ultimato: na tragédia cabe à igreja três ações: profética, denunciando; sacerdotal, intercedendo; diaconal, boas obras.

29 de nov. de 2010

Das trevas para a sub-cultura evangélica, da sub-cultura evangélica para a liberdade!

Osmar Gomes

Quando a Bíblia diz que foi para a liberdade que fomos libertados parece redundante, não? Mas me conhecendo e conhecendo bem o ser humano vejo que a redundância é só uma estratégia para nos livrar de um vício que nos ronda e que não é espiritual, o de sermos escravos.

É maravilhoso ver o evangelho de Jesus sendo adotado nas mais diversas culturas, redimindos estas, transformando em belo sem descarecterizar a sua diversidade. Deixem-me dar um  exemplo. Em 2006, quando estava no Haggai, pude ver a apresentação dos nosso irmãos africanos adorando a Deus com suas danças e cantos tribais. Por um segundo quase fui levado a me fechar e comparar aquele movimento a um terreiro de macumba. Ser livre não é fácil.

Talvez a escravidão mais perigosa a que somos atraídos é a da religiosidade. Pois ela tem aparência de piedade e de santidade, mas não passa de um escudo que esconde quem realmente somos. A religiosidade é imperdoável, Jesus não aliviou com os religiosos. Fato é, que adoramos criar uma “sub-cultura” dentro das nossas culturas para dizer que estamos mais perto de Deus.

Na verdade tenho pena de quem ainda não experimentou a beleza de viver além dos limites que nós mesmo criamos e que Deus, ou a Bíblia nunca nos impôs. Achei que o livro do Ricardo Gondim É proibido – O que a Bíblia permite e que a Igreja proíbe já estava batido, mas não. A maldita religiosidade sempre quer nos pegar e nos acorrentar. Passo a dar-lhe alguns exemplos que com certeza chocarão alguns, mas é o propósito do post mesmo.

Aquele papo de música do mundo. Não aguento mais ter que responder isto, escrevi um post há uns 2 anos falando disso, mas a impressão que tenho é que as pessoas, no fundo, querem ser proibidas de ouvirem o que gostam para poderem se abster de algo e assim se sentirem mais santas. Quanta culpa eu já senti por gostar de ouvir Guns n’ Roses. Culpa do inferno. Não digo que não foi importante na minha adolescência me abster até que aperfeiçoasse meu filtro de qualidade musical e moral. Mas Hebreus 5 diz que precisamos crescer, urgentemente!

Ou quando ia a casamentos e me pegava batendo o pé no ritmo de ABBA e Queen, músicas que não podem faltar em qualquer festa, e novamente a maldita culpa tentava me acorrentar de cantar junto as lindas canções de uma criatividade que só pode ter sido dada por Deus. Goste você ou não, só Deus pode produzir beleza, e quando um músico faz algo belo, por mais “demoníaco” que pareça, ele está revelando uma beleza divina. Goste você ou não.

As gravadoras gospel lançaram esta bobagem de músicas “secular” e “evangélica” para vender mais albuns. Não existe tal coisa, existe música boa e música ruim e ponto final. Mas o religioso não consegue ver beleza fora do seu arraial, o religioso está com suas lentes distorcidas e preconceituosas desqualificando o tempo todo o que não é parecido consigo e com o seu gosto pessoal. Mas como já disse, tenho pena, pois ainda é escravo da sub-cultura evangélica. Precisa de libertação.

Não digo que não é sincero e que muitos destes só querem de fato agradar a Deus, mas não desfaz meu argumento de que podem experimentar algo maior, e o mais importante, deixar a culpa para traz. Não estou dizendo com isto que não há limites, é claro que há, precisamos de limites que nos protegem daquilo que não podemos controlar. Mas o nosso chamado não é para rechaçar toda cultura que não seja “cristã”, mas redimir a cultura que estamos inseridos em algo belo, em algo divino.

Estou farto de crentes que não bebem, não fumam e não dançam, mas são avarentos, mentirosos, fofoqueiros, orgulhosos, soberbos, julgadores. Se acham melhores porque sabem falar o maldito evangeliquês, saibam que este dialeto evangélico soa muito mal aos nosso amigos não cristãos e só nos afastam deles. Quer ganhá-los para Jesus? Faça como Cristo, ande com eles, faça o que eles fazem e fale do jeito deles! Fique tranquilo, se você estiver cheio do Espírito, Ele não vai deixar você pecar ou mesmo escandalizar ninguém. Mas ficar dentro desta bolha que aqui chamei de sub-cultura evangélica, não vai resolver!

Falei na mensagem ontem em minha igreja que as pessoas estão casnsadas de discursos, elas anseiam ver algo diferente em nós, e isso não se aplica a roupa diferente, música diferente ou mesmo um dialeto diferente, mas um coração diferente. Um coração amoroso, compassivo, acolhedor, que abraça o diferente, que procura Deus fora de seus domínios (pois Deus não está preso aos nossos domínios) e que se coloca ao lado, nunca acima, assim como Jesus fez.

Eu sei que este post ficou com cara de #prontofalei. Mas acho que é isso mesmo. Ser livre é bom demais! E ser livre não é pecado, é plano de Deus.

Fonte: Osmar Gomes via Pavablog

4 de ago. de 2010

O que a Bíblia diz a respeito de "músicas seculares"?

Muitas pessoas têm perguntando em meu formspring a respeito de músicas seculares. Irei então escrever para tentar tirar estas dúvidas. Como se trata de um assunto polêmico, peço que leiam o texto inteiro, antes de julgar o conteúdo. Vamos lá então.

O que é música?


Música é uma combinação de melodia, harmonia e ritmo. São sons que produzidos por instrumentos ou com a nossa voz. Musica nada mais é do que uma forma de arte, pode ser usado tanto para o bem como para o mal. Da mesma forma que um artista pode pintar quadros sobre guerra ou paz, ou um escritor pode escrever uma historia sobre demônios ou anjos, a música pode conter letras boas ou letras ruins, tudo depende de quem escreve e no que ele se inspira.


O que é música "secular" então?


É um termo criado que se refere a toda melodia, harmonia, ou ritmo que não contenham letras que falem sobre Deus, também se refere a composições de alguém que não é um cristão, mesmo que a música não contenha letras. Alguns exemplos de “músicas seculares” que convivemos diariamente e são inofensivas:

- Crianças na rua brincando, cantando ciranda cirandinha...
- Festas de aniversário onde cantamos “Parabéns pra você.”
- Momentos patriotas em que cantamos o Hino Nacional da República.
- Ao assistirmos a um filme também, estamos escutando trilha sonora “secular.”
- Casamentos onde a noiva entra com a Marcha Nupcial.
- Músicas cantadas no encerramento das Olimpíadas, também em programas do tipo: American Idol, etc...


É pecado ouvir musica secular?


Biblicamente, não existe base que condene o escutar destas músicas, a não ser algumas específicas que comentarei em breve. Gostaria de antes, refutar alguns argumentos de pessoas que afirmam que toda música secular é do mal.


- "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm!" A Bíblia realmente afirma isso, mas o contexto não tem nada a ver com músicas ou qualquer forma de arte! Não podemos tirar um texto de seu contexto original para dar base a um outro argumento, se fizermos isto, estaremos dando abertura para fazer outros argumentos ridículos como: É pecado comer um hambúrguer feito por “mãos seculares.” Ver filmes seculares, ler livros seculares, contratar arquitetos seculares etc.

- "O que não foi inspirado por Deus, foi inspirado pelo diabo." Este argumento é muito fácil de ser refutado. Por exemplo, quando um marido ao compor uma música romântica para sua esposa, está sendo inspirado pelo diabo também?

- "Eu só escuto coisas que me edificam"
A música não foi criada apenas para transmitir mensagens ou adorar, mas também como uma forma de lazer. Muitas culturas, assim como a nossa, usam músicas para se alegrarem, dançarem, e não existe nada de pecado nisso.

Como saber as músicas que devemos evitar escutar?


Todas aquelas que falam sobre coisas satânicas, ocultistas, ou que promovem conceitos contrários a Palavra de Deus! Cabe a cada pessoa, ter a responsabilidade de avaliar e escolher o que escutar. Eu por exemplo escolhi não escutar a vários artistas, por considerar o seu conteúdo impróprio e contrario ao que a Palavra de Deus me ensina. Mas ao mesmo tempo, escuto a outros que tem letras boas e não estou ofendendo a Deus por escutar, e também não sou menos santo do que pessoas que apenas escutam músicas evangélicas. Acredito que, biblicamente, escutar música secular é igual a assistir a um filme secular, ou a um programa de televisão. Existem programas bons, e programas ruins, não é mesmo? Da mesma forma com as músicas, temos a liberdade de escolher, sem julgar aquele quem pensa diferente.

Fonte: site do pr. André Queiróz


Simples, objetivo, claro, sem chavões e não legalista. Ao ler o texto acima, acende em mim uma ponta de esperança, percebo que ainda há salvação no “arraial”. Essa categorização “gospel x secular” é antiquada. Nem tudo que se diz “gospel” edifica e, por isso, tem muita, mas muita música evangélica que não ouço mais. Sinceramente? Um tanto delas, eu nunca ouvi!

7 de jun. de 2010

A vida é como uma peça de teatro

“A vida é mais fácil do que imaginamos e mais difícil do que gostaríamos”
viverA vida é como uma peça de teatro. A partir da inspiração do Criador nascem os personagens. É Ele quem concebe a vida e permite que a fantasia transforme-se em realidade. Mas são os atores, através de sua singularidade, que são responsáveis por seus respectivos papéis.
Cada um interpreta de uma forma única e cria seu personagem de acordo com suas próprias características. Considerando que cada papel viva um momento diferente na vida, uma situação nova, de modo que ninguém, nunca, substituirá a outro.

Muitas vezes o autor interfere numa cena ou outra e pode até mudar o rumo da história – até vilões viram mocinhos – porém, é a autenticidade de cada um e a liberdade do improviso que valoriza a obra. Afinal, o Autor torna possível, mas é o ator quem faz acontecer.

Assim é a vida, cabe a nós escolher entre fazer parte do espetáculo e dar o melhor de si, ou ser mais um na platéia que cruza s braços diante dos acontecimentos, aperfeiçoando seu olhar crítico, apenas julgando a qualidade da peça e eficiência dos atores. Geralmente, os que optam por fazer parte da platéia, tornam-se figurantes da vida, pois não se permitem viver intensamente. Preferem apenas assistir a performance do outro, na tentativa vã de não se ferir ou não correr o risco de serem vaiados. Mas aqueles que decidem viver e não apenas existir, esses sim, dão ênfase a própria história e no fim do espetáculo, mesmo que hajam criticas negativas por parte de alguns e indiferença por outros, existirá SEMPRE alguém para aplaudi-los, mesmo que seja o próprio Autor.

Por Jéssica Rodrigues Vieira no blog Devaneios

Na hora em que li, lembrei da canção de Geraldo Vandré:

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

3 de jun. de 2010

Controverso, eu?

Não me considero um polemista, embora reconheça a minha insistência em questionar, embora saiba que vez por outra peso nas tintas ao criticar, embora consciente do meu atrevimento por tentar derrubar vacas sagradas de seus pedestais teológicos. Um tanto de gente me escreve perguntando sobre boatos que se espalham por corredores virtuais me acusando de perigoso. Sinceramente, não me acho uma ameaça (sem bem que Hitler também não se achava!).

Vou tentar explicar pela enésima vez porque disse que estava de saída do movimento evangélico – enumero para que fique mais didático:


1. Por razões éticas

Não consigo acertar o passo com os escândalos que sacodem quase semanalmente o movimento evangélico. Na minha opinião, um claro sinal da septcemia moral que o devasta. Alguém diria: “Esses escândalos representam apenas uma pequena parcela do movimento e os demais não podem ser responsabilizados”. Ora, ora, se os desmandos do neopentecostalismo não representam o todo, então porque os evangélicos se valem do crescimento das mega-igrejas, dos ministérios televisivos, para impressionar com as estatísticas do IBGE? Se há necessidade de separar quem é quem, então que profetas se levantem e denunciem o circo vergonhoso que se tornou a pretensa “pregação do evangelho” que não passa de uma neurolinguística fajuta. 

2. Por razões teológicas

Milagres a granel são prometidos indiscriminadamente pelas igrejas. O movimento evangélico virou um movimento antropocêntrico. Deus foi reduzido a um poderoso consertador de problemas, a um super-gênio da lâmpada que cumpre desejos, a um magnífico Papai Noel que dá o que se pede. Oração se transformou em técnica de manipular o divino; obediência, um jeito de desobstruir os dutos por onde correm as bênçãos; e fé, uma força que arrasta o coração de Deus na direção dos humanos, sempre miseráveis. 

Na verdade, se me perguntarem se concordo com um mundo engrenado pela providência que faz com que todos os nano eventos do universo tenham a tutela de Deus, responderei que não. Se me perguntarem se creio que crianças já nascem pecaminosas e “filhas da ira” de Deus, repetirei que não. Enfim, eu jamais passaria nas provas de catecúmenos da maioria das igrejas evangélicas. 

3. Por razões existenciais

Por anos, corri, corri, sobre a plataforma evangélica de salvar almas, de garantir o céu para os pecadores danados. Quando vi que a fronteira da velhice se avizinhava, descobri que as pessoas que haviam carimbado o passaporte para a vida eterna eram malvadas, iracundas, traiçoeiras, ingratas, mais amantes de suas doutrinas do que do próximo. Eu tinha distribuído salvo conduto que dava entrada para as ruas de ouro do Paraíso, mas fracassara em ajudar homens a honrarem as calças que vestiam. 

Recentemente, pregando em Natal, Rio Grande do Norte, perguntei a um pastor anglicano sobre o estado das igrejas ali. Ele respondeu que igrejas evangélicas sérias estavam em crise. Repliquei de imediato: – Não, amigo, as igrejas sérias não estão em crise, mas navegando na contracorrente. 

Sei que a versão dos maldosos colou em mim; fiquei com o estigma de mal-resolvido, polêmico e até de herege. No passado, isso me inquietava, mas depois que muitas águas correram sob a ponte, conscientizei-me de que devo continuar tentando abrir picada onde não há trilha sem importar-me com a opinião dos guardiões da reta doutrina. 

Se a busca inquieta por novos ares for controverso, sou controverso. Se não aceitar andar no passo da manada for controverso, eu sou controverso. Se desejar cuidar pastoralmente de famílias com filhos com paralisia cerebral, sem repetir chavões, for controverso, eu sou controverso. Se recusar a aceitar que a miséria de bilhões, que dormem com fome todas as noites, representa o controle de Deus sobre a história for controverso, então eu sou controverso. 

Cambaleante, continuarei. Sob artilharia pesada, escreverei. Espicaçado por eruditos, seguirei. Esta é minha vocação, é minha sina, é meu destino. Comecei, agora vou até o fim. 

Soli Deo Gloria

Fonte: Ricardo Gondim em seu site.

Gondim é um bravo guerreiro e devíamos copiar sua coragem de se expressar e de fazer algo novo, diferente. Há muito tempo que o movimento evangélico vem precisando de uma sacudida. Como também temos coisas lindas em nosso meio, precisamos separar o joio do trigo. São muitos os falsos profetas que têm se levantado para vender uma teologia perniciosa, fabulosa e que promete vida fácil. Porém, este não é o fim último do evangelho. Nossa missão é fazer presente os valores do Reino de Deus, que está muito próximo, mas que ainda não chegou por conta de nosso egoísmo e vã religiosidade.

Quando a Bíblia faz mal

Sempre que se obedece à Escritura por causa dela mesma, se está cedendo à tentação do Diabo!

Não é de estranhar, portanto, que o pai da fé, Abraão, tenha vivido pela fé na Palavra antes de haver Escritura, mostrando-nos assim, que a Palavra precede a Escritura.

A fé vem pelo ouvir-escutar-crer-render-se à Palavra.

E a pregação só é Palavra se o Espírito estiver soprando. Do contrário, é só prega-ação!

E a pregação que não é Palavra é apenas estudo bíblico, podendo gerar mais doença do que libertação.

A grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. As Escrituras se iluminam como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro com a Palavra de Deus. Ou quando o Deus da Palavra fala antes ao coração!

humilhadoA Bíblia é o Livro.

A Escritura é o Texto.

A Palavra É!

“Escritura” sem Deus é apenas um texto religioso aberto à toda sorte de manipulações!

No genuíno encontro com Deus e com a Palavra, a Escritura vem depois.

Sim! A Escritura vem bem depois!

O processo começa com a testificação do Espírito — pelo testemunho da Palavra de que somos filhos de Deus (Atos 16:14; Romanos 8:14-17; 10:17).

Depois, nos aproximamos da Escritura, pela Palavra. Então, salvos da “Escritura” pela Palavra, estudamo-la buscando não o seu poder ou o seu saber, mas a “revelação” imponderável acerca da natureza e da vontade de Deus, que daquele “encontro”—entre a Escritura, a Palavra e o Espírito — pode proceder.

Para tanto, veja João 5:39-40, onde o exame das Escrituras só se atualiza como vida se acontecer em Cristo.

Um exemplo do que digo é a tentação de pular do Pináculo do Templo. Tinha uma “base bíblica”— se levarmos em conta a Escritura como sendo a Palavra. Mas o que Jesus identificou ali foi a Escritura sem a Palavra.

Um ser pré-disposto ao sucesso teria pulado do Pináculo em “obediência” à Escritura e à sua literalidade, violando, para sua própria morte, a Palavra.

Sim! Estava escrito.

Porém, não estava dito!

Ora, é em cima do que está escrito mas não está dito, que não só cometemos “suicídios”, mas também “matamos” aqueles que se fazem “discípulos” de nossa arrogância, os quais, motivados pelas nossas falsas promessas, atiram-se do Pináculo do Templo abaixo.

E é também por causa desse tipo de obediência à letra da Escritura que nós morremos.

A letra mata!

Olhamos em volta e vemos o Livro de Deus em todas as prate-Lei-ras. Vemos o povo carregando-o sob o braço e percebemos que eles são apenas “consumidores de Bíblias”.

Vemos seus lideres e os percebemos, muitas vezes, apenas como “mercadejadores” de Bíblias e dos “esquemas” e “programas” que se derivam do marketing que oferece e vende sucesso em “pacotes em nome de Jesus”.

Sim! E isso tudo não porque nos faltem Bíblias e muito menos acesso à Palavra.

O que nos falta é buscar a Deus por Deus.

O que nos falta é sermos filhos amados de Deus não porque isto nos dá status  Moral sobre uma sociedade que não é mais perdida que a própria “igreja”, coletivamente falando, é claro!

O que nos falta é a alegria da salvação, sendo essa alegria apenas fruto de gratidão.

É somente na Graça que a leitura da Bíblia tem a Palavra para o coração humano. Sem a iluminação do Espírito a Bíblia é apenas o mais fascinantes de todos os best-sellers.

Fonte: Caio Fábio via Pavablog

Texto perturbador do Caio Fábio. Lendo-o, muitas imagens são projetadas em minha mente. Imagens de pessoas pregando a Escritura e não a Palavra. Discurso vazio e sem vida. Manipuladores de massas. Legalistas. Escravizam o povo  e torcem sua visão sobre Deus. Ressaltam a religião. Empobrecem a vida e o que ela tem de mais belo. O que fazer para isso mudar? #dúvidas #revolta

22 de mai. de 2010

Um Deus cheio de graça

Deus, em sua primeira aliança, elegeu um povo para firmá-la, com objetivo de formar uma nação. Isso criou neste povo um sentimento de exclusivismo, de superioridade cultural, religiosa, política, ou seja, excluía os demais povos, os diferentes, as minorias. A manutenção deste modelo se dava pelo alimento (maná) que gerou o materialismo, apego às coisas materiais, posses. E a relação com Deus se dava através da visão, da estética (vide detalhes luxuosos do templo, dos rituais sacrificiais, das roupas sacerdotais). Toda essa objetividade acabou gerando controle.

As coisas mudaram na nova aliança, que é permeada pelo sentimento de inclusivismo, criando um espaço de acolhimento. A manutenção deste modelo se dá por outro tipo de pão, o espiritual, mostrando o desapego às coisas materiais. A relação com Deus agora se dá pela audição (… E como crerão naquele de quem não ouviram falar?… Romanos 10.14) , pela sensibilidade,  pela fé, pela obediência e pelo relacionamento. Deus não quer mais uma nação e sim uma Igreja, uma comunidade onde todos são bem-vindos e recebidos, onde tudo é compartilhado para o bem de todos.

Na antiga aliança, os israelitas instituíram festas para cada etapa (fato importante) da construção da nação: para o primeiro, a saída do Egito, eles instituíram a  festa da Páscoa, para lembrar e ensinar às novas gerações sobre a libertação da escravidão. Outro fato importante foi a travessia do Mar Vermelho, durante a peregrinação no deserto e para tal lembrança foi instituída a Festa do Tabernáculo. Um terceiro fato importante foi a posse da Terra Prometida e a festa para essa fase é a de Pentecostes. 

Semelhantemente, temos três fatos característicos na nova aliança: o arrependimento, convocação pessoal e individual (e não mais da nação), a fé e a confiança em Cristo (é por ele que temos acesso ao Pai e nele devemos permanecer) e a missão e o compromisso de compartilhar essa boa nova para outros. É notório que precisamos aprender mais sobre como viver sobre esta nova perspectiva de vida e também ensinar as próximas gerações toda a magnitude da quebra de paradigma da cruz e, por isso, creio que deveríamos também instituir festas para cada uma destas fases. Enquanto crentes, cremos muito pouco no poder de uma boa comemoração! Devemos celebrar a (nova) vida, a liberdade, a salvação, a alegria de pertencer e servir a Cristo.

Isso parece loucura? Sim, é: Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus (I Coríntios 1:18). Afinal, nosso Deus é festeiro e cheio de graça!

16 de mai. de 2010

Deus, onde estás?

PalavrAntiga

Compositor: Marcos Oliveira De Almeida pobreza

 

Deus, onde estás?
Te procuro, Te procuraria na porta dessa rua

Deus, onde estás?
Olha o que eu vejo agora
O menino dançou sem roupa
O menino botou na boca um doce com gosto de fel

Deus, onde estás?
A igreja arrancou o sino
O homem esqueceu o menino
Fez castelo de ouro e prata e perdeu a vida

Ah! Acende toda luz
Iluminando a Terra que convive com a dor sem esperança

Vai onde há a dor, e cura!
Vai onde não há amor, e ama!
Vai onde há a dor, e alegra!
Vai onde não há amor, transforma!

Teu toque forte muda a sorte de quem Te encontra

Deus, onde estás?
Eu passei por aquele palco

Vi um grande homem fardado
Que gritava ao povo: "Dinheiro!"
Sem piedade

Ah! O homem passou
E se esqueceu da dor que sangra dentro do peito

Vai onde há a dor, e cura!
Vai onde não há amor, e ama!
Vai onde há a dor, e alegra!
Vai onde não há esperança!

Traz esperança!
Faz esperança!
Traz esperança!

 

Em uma das vezes que ouvi essa música, fiquei pensando em como deve ser dura a vida de crianças pobres, perdidas nas favelas do nosso país e também no resto do mundo. Muitas são as crianças sem nome, sem futuro, sem esperança. Será que nossa religiosidade tem alguma culpa nisso?  Jesus Cristo, levava cura e alegria aonde havia dor, levava amor aonde não se podia encontrá-lo, enchia as pessoas de esperança. Sem barganhas, sem lista de regras. E nós, religiosos? Temos feito o mesmo, ou só estamos dando ouvidos aos nossos líderes pedintes de dinheiro em troca de cura para nossos próprios umbigos? Quando a enorme quantidade de templos cristãos começarão a fazer diferença nas comunidades onde estão instalados? Precisamos sair da zona de conforto e trabalhar para que o Reino do Céus chegue às pessoas necessitadas, levando amor, esperança, cura e alegria que só Jesus Cristo pode proporcionar.

30 de abr. de 2010

Como identificar igrejas saudáveis e líderes confiáveis

binoculos_collection_thumb[4]

Em meio a tanta confusão nos arraiais evangélicos, muitos preferem servir a Cristo em seus próprios lares, engrossando assim a fileira da igreja que mais cresce no Brasil e no Mundo: a dos desigrejados. Seu desapontamento com a igreja instituída fez com que agissem como Elias, o profeta solitário que cansou-se de nadar contra maré de corrupção que abatera sobre Israel, planejando terminar seus dias confinado numa caverna. O que ele não sabia é que Deus havia preservado sete mil pares de joelhos que não haviam se dobrado a Baal.

Basta visitar alguns dos milhares de blogs que povoam a blogosfera cristã para certificar-se de que ainda há esperança. A blogosfera transformou-se numa enorme congregação virtual. Gente oriunda de todos os setores da igreja cristã tem a liberdade expor seu descontentamento com o rumo que a igreja tem tomado.

Como pastor, preocupo-me com aqueles que simplesmente desistiram de congregar e se alimentam unicamente do que é postado em nossos blogs. Precisamos muito mais do que isso. Precisamos construir relacionamentos sólidos, submeter-nos a uma liderança madura e respaldada na Palavra, encaminhar nossos filhos a um ambiente saudável, sentir-nos pertencentes a uma família espiritual, e mesmo, contribuir financeiramente com projetos que visem a glória de Deus e o bem-comum.

Daí surgem algumas questões pertinentes:

Poderíamos congregar numa igreja que não fôssemos capazes de recomendar a outros? Sentir-nos-íamos constrangidos e desconfortáveis em trazer nossos amigos e parentes a um culto?
Que tipo de igreja proveria um ambiente seguro e saudável para os nossos filhos? Que igreja poderia ajudar-nos na formação do caráter deles sem intrometer-se em assuntos domésticos e particulares, e sem expor nossa autoridade como pais? Há igrejas onde o pastor se vê no direito de estabelecer regras nos lares de seus congregados. Filhos crescem sem saber se devem honrar a seus pais ou obedecer cegamente a seus líderes espirituais. Imagine um pastor que exija ser chamado de “pai”, ou ser tratado como tal. Ou ainda: o desconforto de um pai cuja autoridade é rivalizada pela autoridade pastoral.
A que tipo de liderança deveríamos nos submeter? Um pastor que não é respaldado por sua própria família (pais, irmãos, filhos, esposa, etc.), estaria apto a mentorar outras famílias? E quando todos percebem que entre ele e a esposa não há amor? Você se submeteria a um pastor cujo casamento não passasse de um embuste? Que tipo de tratamento ele dá aos filhos? A famíla pastoral deve ser referência. Não digo que deva ser perfeita, mas pelo menos saudável.

Seria sábio submeter-nos a uma liderança susceptível a todo tipo de modismo doutrinário? Hoje prega uma coisa, amanhã prega outra totalmente difirente? Seria sábio submeter-nos a uma liderança emocionalmente desequilibrada? Como nossos pastores reagem ante a uma crise? Como reagem quando são elogiados? E quando são criticados? Costumam trazer problemas de casa para o púlpito, ou vice-versa? Gostam de apelar ao emocionalismo? Gostam de tornar as pessoas dependentes deles?

Seria sábio submeter-nos a uma liderança antiética? Quem suporta um pastor que só sabe falar mal dos que o antecederam? Você se submeteria a um pastor que sequer sabe ser grato a quem o instituiu? E mais: com quem ele anda? Quem são seus amigos? Quem freqüenta sua casa? Não me refiro a amizade com pessoas não cristãs, e sim a amizade com falsos cristãos, lobos infiltrados no meio do rebanho para causar-lhe dano. Como acolhem as pessoas que chegam a igreja? Dão o mesmo tratamento independente da posição social? Desprezam os veteranos para dar maior atenção aos novatos? Como são tratados os anciãos? Lembre-se que um dia você será um.

E quanto às contribuições? Seria sábio contribuir numa igreja onde a liderança é pródiga? É correto o pastor fazer compromissos maiores do que os que a igreja possa arcar e depois escapelar os irmãos na hora das ofertas? Como as ofertas são pedidas? Há muita apelação, manipulação e pressão psicológica? E como elas são administradas? A quem o pastor presta contas? Há uma instância acima dele? O que entra na igreja é usado exclusivamente ali ou parte é destinada a trabalhos missionários? Há projetos sociais relevantes? Que resultado esses projetos têm alcançado?

É correto usar o dinheiro da igreja para pagar cachês a cantores e bandas convidadas?

E se o pastor eventualmente cometer um deslize grave, como adultério ou roubo, quem poderá admoestá-lo, ou mesmo puni-lo?

Como a igreja lida com questões políticas? É certo a liderança apontar em quem os membros devem votar? É correto levar candidatos para o púlpito e ceder-lhes a palavra? Há algum trabalho de conscientização para que as pessoas exerçam sua cidadania cabalmente, sem interferência?

Quais os critérios usados pelo pastor para ceder seu púlpito a outro pregador?

Olhe para as pessoas à sua volta, principalmente para que chegaram antes de você e pergunte-se: Elas são hoje pessoas melhores do que eram anos atrás? As pessoas que congregam ali estão amadurecendo na fé? Lembre-se: elas podem ser você amanhã.

E quanto ao culto? Percebe-se a presença de Deus naquele lugar? Há reverência ou simplesmente oba-oba? As pessoas que freqüentam estão realmente interessadas na Palavra ou só aparecem quando há algum evento ou convidado especial?

Essas são apenas algumas questões que precisam ser consideradas. Se você tiver alguma outra questão igualmente relevante, por favor, poste em seu comentário.

O que não podemos é desistir da igreja de Cristo, seja reunida de maneira formal ou informal. Não basta criticar, urge encontrarmos saída para resgatá-la deste estado calamitoso em que chegou.

Hermes C. Fernandes em seu blog.

Diversas conversões

Já me converti várias vezes. Fui católico nominal e virei presbiteriano-reformado-calvinista. Depois migrei e ganhei o título de assembleiano-pentecostal-clássico. Mas o processo nunca parou. Experimentei mudanças bruscas em minha crença sobre milagre: saltei das orações despretensiosas e formais para agonizar de joelhos e ter intervenções divinas que resolvessem problemas, meus e dos que me pedissem ajuda.

Na maturidade, houve outras mudanças em minha caminhada religiosa. Abandonei projetos grandiosos, “billygrahaminianos”, de impactar o mundo; perdi ideias românticas sobre a “verdadeira igreja”; desiludi-me com as afirmações absolutas da teologia sistemática que pretende catalogar de forma exaustiva o que se deve saber sobre Deus e o mundo vindouro; desencantei-me com as lógicas da espiritualidade engrenada de “causa e efeito”; fugi da beligerância dos apologetas da “reta doutrina”.

Alguns amigos, inquietos com a minha rota, questionam se não há retorno, se estou mesmo decidido a permanecer no processo de repensar a fé e a espiritualidade. Pelas marretadas que já levei, pelos companheiros que já perdi e pelas censuras que já sofri, confesso que fui tentado a reconsiderar. Entretanto, voltar atrás, neste caso, seria um retrocesso covarde. Tudo o que entusiasma pede para ser aprofundado, alongado, problematizado, nunca esvaziado.

Para apagar o que absorvi sobre a relação com Deus

Eu precisaria negar que a mais linda revelação do evangelho é o esvaziamento de Deus na encarnação;

Eu precisaria afirmar que as portentosas narrativas bíblicas de milagre são jornalísticas e que servem para convencer os incrédulos de que Deus é poderoso;

Eu precisaria insistir em dizer que as condições sub-humanas dos que vivem em monturos de lixo fazem parte de um um plano traçado por Deus antes da criação. Não consigo imaginar-me falando: “Deus é soberano e decidiu que eles viveriam assim; e os porquês da Providência, só saberemos na eternidade”.

Eu precisaria pregar que Deus está em controle de todas as coisas, inclusive do estuprador que matou a adolescente, do fornos crematórios de Auschwitz, das machadadas que dizimaram Ruanda e da estupidez de Pol Pot no Camboja, que executou dois milhões de inocentes.

Eu precisaria escrever revistas de escola dominical para mostrar que as crianças são perversas, mentirosas, verdadeiras víboras em gestação, e que elas devem se arrepender o quanto antes e “aceitar Jesus” para não terminarem prematuramente no inferno.

Eu precisaria ensinar que sem o credo confessional dos evangélicos bilhões arderão no enxofre e que Deus se sentirá feliz e vingado ao ouvir o choro e o ranger de dentes dos condenados por toda a eternidade.

Eu precisaria postar textos na internet sobre o “direito” do Oleiro matar os miseráveis no Haiti. Teria de insistir que somos barro sem autoridade de questionar os atos do Senhor. Precisaria teimar no “mistério insondável” de Deus escolher exatamente os mais pobres para derramar o cálice de sua ira; e que é meu dever arregaçar as mangas e amenizar o sofrimento dos que foram vítimas do ódio de Javé, sempre ofendido pelo pecado.

Como não consigo voltar a essas lógicas, só me resta prosseguir na compreensão de Deus com outras premissas. Através de Jesus, tento entender o Divino. Como o Deus invisível nunca se deixou ver por ninguém, tenho apenas o rosto, as palavras e os gestos de Jesus para intui-lo. Faço revisão teológica sem grandes pretensões, não intento formar nenhum movimento, quero tão somente ser honesto com minhas, só minhas, inquietações.

Sim, pretendo experimentar novas conversões. De passo em passo, alargar meus parcos conhecimentos e minhas estreitas convicções. Mas como o Divino é oceano mais imenso que a soma das galáxias, tenho muita transformação pela frente.

Soli Deo Gloria
30-04-10

Ricardo Gondim, em seu site.

19 de abr. de 2010

Inspire-se

Não se limite aos dogmas evangélicos e religiosos. Invente um mundo sobrenatural se for preciso. Faça um BLOG, escreva na sua agenda, no diário, escreva um livro, tenha Twitter, faça uma música, aprenda um novo idioma, pinte um quadro, aprenda arte, leia poesia... não se limite ao que os pastores pregam em suas igrejas. Aja com excelência!


Hoje, precisamos de homens brilhantes como C. S. Lewis (apologista cristão escritor dos sete volumes de “As Crônicas de Nárnia”, na década de 1950 entre outros). Se Deus ainda não lhe mostrou nada, TRANSPIRE-SE! Comece o caminho, sem preconceitos e medos. Abra mão dos pilares religiosos que nós nem sabemos de onde vieram. Crie um leão simbolizando Jesus e seu Reino mágico e encantado! Desenvolva algo novo. Uma marca, um site, um livro, crie um perfume. Crie uma grife de roupas. Administre uma empresa brilhante que o mundo nunca viu. Um produto que todos esperam e ainda ninguém de nós teve ousadia pra criar. Se envolva na ecologia e na preservação do meio em que vivemos. Vejo pessoas que não são cristãs preocupadas com isso, com reciclar, com criar produtos do lixo enquanto muitos cristãos estão pendurados em sua “fé” sem obras!



Coisa que o Maurício Zágari (escritor de “O Enigma da Bíblia de Gutemberg” - FOTO ACIMA - Lançado pela Editora Anno Domini - veja o ótimo site do livro aqui) teve, ele saiu do convencional, de escrever livrinhos de “Como alcançar a sua bênção” ou “Seja poderoso em nome de Jesus” ou ainda “Sete chaves para uma oração respondida”. Parabéns, meu queridão! O Maurício criou uma história de investigação policial/religiosa para impactar a vida de jovens e adolescentes (eu como um adolescente de 37 anos adorei e recomento). Achei a iniciativa preciosa, porque acredito que os nossos jovens precisam encontrar alguma literatura interessante nas livrarias evangélicas e não só livros de poder e unção.


Hoje em dia os escritores que nem são cristãos nos superam em muito!!! Sei que é uma colocação que muitos irão discordar. Eles são realmente bons, já li muitos deles. Como publicitário, recebo material de divulgação de várias editoras. Meus queridos, não há nada no mundo evangélico literário muito brilhante hoje em dia. A maioria dos cristãos de hoje escreve sempre a mesma coisa, uma literatura cheia de vícios de linguagem e chavões evangélicos que o leitor precisa ter uma Paciência de Jô pra acompanhar tanto simplismo. Mas nós podemos mudar essa história, nós podemos! Temos o Espírito Santo que nos capacita, somos cheio de todo tipo de unção. Vamos pedir à Deus queridos que comece a INSPIRAR-NOS em tudo que fizermos profissionalmente. E se Deus não inspirar TRANSPIRE-SE! Coloque a sua mente para funcionar e CRIE... SEJA BRILHANTE e ouse.


Você sabe qual o lugar mais rico do mundo? Os cemitérios. Porque ali estão enterrados os sonhos que nunca se realizaram, os livros que nunca foram escritos, os missionários que nunca evangelizaram ninguém, as fábricas que nunca produziram nada, as pinturas e obras de arte que nunca saíram de projetos, músicas que nunca foram compostas, tecnologias que nunca foram reveladas, igrejas que não foram construídas, pregadores que nunca ministraram, professores que nunca deram aula, líderes que não tiveram seguidores, cantores e músicos que nunca impressionaram ninguém com seu talento, prédios e casas que nunca foram construídos...

O cemitério é um bom lugar não só para enterrar o nosso corpo, mas também para enterrar os nossos sonhos. Comece fazendo... SEJA BRILHANTE!

 

Abraço a todos!

EM CRISTO, o primogênito de TODA a CRIAÇÃO.

Soli Limberger

 

Fonte: Buscai o Reino