9 de ago de 2009

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

O que será que você está fazendo agora? O que será que você está pensando agora? Que sentimento está sentindo agora? Eu não sei, eu não sei... só sei que faço, penso e sinto tantas coisas. Isso acontece com alguma regularidade, mas na data de hoje, isso toma uma intensidade maior. Há um vazio. Há um vácuo. Há uma distância. Há uma ausência.

Não procuro culpados, pois a vida é assim, nos prega muitas peças. O que procuro fazer é tentar imaginar como seria se tudo tivesse acontecido de forma diferente. Que alegrias eu teria vivido com você aqui? Que alegrias eu não teria vivido com você aqui? Sei que tudo poderia ter sido diferente... e como sei. Mas às vezes acho que ainda assim, teria sido melhor com você por perto.

Mas tenho um Pai que tudo sabe, tudo vê e cuida de mim. Focado nisso eu prossigo, pois nEle tenho descanso e sei que nunca me sentirei só. Independente de quaisquer circunstâncias.

Te amo Pai! Te amo pai...

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